Obsolescência Programada: por que você compra tanto?
Você sabe o que é Obsolescência Programada? Claro que sabe! Lembra daquele guarda chuva que você acabou de comprar e já quebrou? Sabe aquele computador que já ficou ultrapassado? E então o celular que você comprou a pouco tempo e já parece estar fora de moda? Viu! Você sabe muito bem o que é Obsolescência Programada. Mas para reforçar o conceito, segue abaixo uma definição:
“Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido.” (Fonte: Wikipédia)
Na prática podemos dizer que Obsolescência Programada é um desrespeito com o consumidor, com o planeta e com a economia. Pois nos faz comprar o que não precisamos para alimentar uma pseudo economia sustentável. Não pense você que esse tema é algo novo. Não, não… é um estratégia que surgiu em 1920 e teve o seu estopim em 1929 – lembrou de algo? Sim, a crise de 1929 ou também conhecida como a Grande Depressão, foi o pior momento econômico de todo o século XX. E para “tapar” o buraco a Matrix (leia-se o sistema capitalista) teve a grande ideia de criar uma fórmula mágica para acabar com o desemprego e miséria. Alguém parou e pensou:
Se todos os produtos tivessem uma vida útil menor, logo as pessoas precisariam consumir mais. É sabido que o consumo gera emprego e emprego alimenta o crédito e faz a economia girar.
E foi assim que tudo começou, uma medida que “salvou” a economia da época e que se tornou um problema para o planeta nos dias de hoje. Pense! Se você troca de celular uma vez por ano significa que você é um produtor de lixo tecnológico. Já ouviu aquele bordão “As coisas não duram mais como antigamente”? Pois então. Não duram mesmo, pois não foram feitas para durarem. Mas esse não é o único vilão, pois algumas coisas duram e nós que as descartamos. Hoje temos diversas formas de obsolescência, são elas:
• Obsolescência Programada: é aquela onde o fabricante, bem sacana, desenvolve um produto para que quebre depois de um certo tempo de uso. Exemplos já comprovados: impressoras e lâmpadas (veja o documentário ao final do post).
• Obsolescência Percebida: essa tem como maior culpada a Propaganda. Pois, nesse caso, sentimos a necessidade de comprar um novo produto, mesmo que o nosso produto atual atenda a todas as nossas necessidades fundamentais. Esse é o caso dos smartphones onde o fabricantes inovam muito pouco e fazem barulho na mídia reinventando a roda.
• Obsolescência Funcional: essa aqui pode ser legítima ou induzida. Ou seja, é legítima quando uma tecnologia é descoberta e você decide por comprar um produto mais moderno. E julgo induzida para o caso dos computadores que avançam de forma que as peças novas não sejam compatíveis com as antigas e você tenha sempre que comprar um computador novo.
Conclusão: esse sistema é falho pois nos induz ao consumismo exacerbado e contribui para criarmos lixo tecnológico, tóxico e de todos os tipos. Esse problema já é bem grave em países da África, que recebem pilhas de lixo diariamente. É um caso típico de empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Por isso, faço um apelo a você leitor. Pense bem antes de sair comprando produtos por modismo. Tenha discernimento na hora de comprar e privilegie empresas que fabricam produtos duráveis (pesquise avaliações de usuários no Google, nada melhor do que a opinião de quem já utilizou o produto). Seja consciente pois se você alimentar esse sistema além de o planeta ser prejudicado você terá que ficar gastando a sua grana comprando produtos novos sempre. E não é nenhum segredo que os fabricantes, muitas vezes, já possuem uma tecnologia nova, porém esperam a gente comprar a velha para depois lançar a nova e a gente comprar de novo.
Sinta-se em casa para discutir o tema abaixo nos comentários!
Coloco abaixo dois documentários sobre o assunto que eu recomendo:

Muito Legal!
Olá Diego,
bem legal seu post, nem sabia que existia tantos tipos de obsolescência!
Acho que também cabe a discussão a respeito da raiz do problema, não basta a reflexão sobre nossos hábitos de consumo quando no mercado só há produtos com esta merda de obsolescência.
Passa também por um questionamento de falta de ética e moral das empresas que, além de lucrarem exorbitantemente com isso, sobretudo ainda vendem o slogan da sustentabilidade.
A sustentabilidade é bem mais do que a presença de algumas ações ou a soma delas, é um todo, um conjunto impossível de ser alcançado dentro do sistema capitalista.
Escrevi um post no meu blog: na-beirada.blogspot, sobre isso também, com essa discussão ai.
Valeu!
Olá, Juliana. Primeiramente, obrigado pelo seu comentário. Eu acessei o seu blog e dei uma lida no post “Responsabilidade no consumo”, achei bem interessante, parabéns. Eu sou um publicitário com consciência de consumo e gosto bastante de ler a respeito. Me adiciona no Facebook e no Twitter, para que a gente possa trocar ideias.
Assisti recentemente os dois documentários acima.
Aquele ditado “será que precisa desenhar?” Então veio o desenho animado sobre o tema. Super esclarecedor.
Para mim cada um daqueles produtos expostos em mercados, lojas, etc representam um CARTÃO SUBLIMINAR ONDE ESTÁ ESCRITO “COMPRE E SEJA FELIZ”
Agora entendo que para o esquema manipulador, pouco importa porque compramos. Para eles comprar; e comprar; e comprandar… é o que importa.
Ótimo e objetivo o Blog. Se souber de outros sites sobre o tema
Valew
Oi João, obrigado pelo seu comentário. Realmente o consumismo desenfreado nos dá uma falsa sensação de felicidade e satisfação. Esses documentários são bem legais, você mencionou um desejo, qual seria? Eu não acompanho sites específicos sobre esse tema, mas certamente essa é uma pauta presente em vários veículos. Pois o planeta não aguenta mais tanto descaso.
Um abraço,
Diego gostei muito do seu post, e gostaria de uma sugestão,estou fazendo um trabalho escolar em que se trata justamente desse assunto, porém me encontro em um paradigma em que em outras reportagens vejo a necessidade do consumismo para que faça o mercado girar e não haja assim desemprego e tal. Como você mesmo fala sobre a crise de 1929. Se você puder me dar uma ajuda sobre essa questão seria muito bom.
Obrigado pelo comentário, tenho certeza que muita gente tem essa mesma dúvida. Eu acho que podemos fazer a economia girar e ao mesmo tempo sermos mais sustentáveis. O que ocorre é que por conta de um marketing agressivo as marcas começaram a priorizar demais a embalagem ao invés dos produtos. Eu acho que muito do que compramos hoje no mercado poderia ser vendido a granel, com isso o impacto ambiental já seria bem reduzido. Também acho que deveria ser pensado em uma forma mais inteligente para o upgrade de smartphones e computadores, algo onde pudéssemos preservar a carcaça e fazer pequenas mudanças de hardware e software. Mas com certeza para isso entrar em prática é necessário muita vontade política e a sociedade precisa clamar por isso. Pois com certeza entraríamos numa era onde a concorrência não mais estaria centrada no marketing mas sim no produto, como era no passado.
Cara, muito bom seu post, afinal, me interessei por esse tema. E acabei chegando à conclusão de que a própria sociedade, além de vítima, é aliada da obsolescência. Um exemplo, é que o primeiro documentário que você mostra foi exibido em sala de aula, e no dia seguinte, uma amiga (que assistiu ao documentário também) aparece pra mim e diz: “Comprei um computador novo, a diferença dele é que tem um núcleo a mais”. Eu nem me dei o trabalho de perguntar o que ela fez com o antigo, e eu queria saber se você tem alguma solução pra poder conscientizar esse tipo de pessoa sem um certo censo crítico sobre esse assunto…
Diego,
consumismo desacerbado = consumismo adoçado!?!?!
Pois segundo o dicionario >>>> Desacerbar = O mesmo que adoçar
Acredito que você tinha a intensão de dizer >>>> exacerbado = Agravado, aumentado.
atenciosamente!
Renata
Corrigindo um erro meu >>> *intenção
=)
Obrigado pela observação, já corrigi
Obrigado, Erick! Acho que a melhor forma de você ajudar sua amiga é conversando e tentar mostrar a ela essas armadilhas que estão por trás do consumo. Acredito que com doses homeopáticas e perseverança você pode conseguir conscientizá-la e sensibilizá-la da importância de refletirmos sobre esse tema nos dias de hoje, pois além de fazer bem para a mente faz mais bem ainda para o próprio bolso.