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Criação não é um Dom
Posted by Diego Brito in Dicas, criação on 9 de junho de 2009
Talento ou dedicação? Esforço ou técnica?
São essas e outras questões que muitos jovens designers possuem ao escolher a área de criação como profissão. Apesar de polêmico creio que muitos profissionais experientes concordam com meu ponto de vista sobre a questão.
A criação é algo ainda hoje tratado como um talento excepcional, algo para ser admirado numa redoma de vidro. Ao meu ver é tão excepcional quanto programar um script ou prospectar uma conta comercial. No final das contas estamos falando da mesma coisa, desenvolver a técnica. Dom é ao meu ver algo que te dá uma “noção cega” do certo ou errado. E o que seria isso? Bom, um criativo que nunca tenha estudado teoria e conduz seu trabalho baseado em seu talento não possui embasamento para justificar suas ações o que lhe dá o parâmetro bilateral – do certo e o errado. Vou citar um exemplo: um designer que basea-se apenas em seu “dom” para desenvover seu trabalho não possui insumos para poder avaliar e pensar a respeito do que produz, é algo como mel de abelhas, o produto é bom e interessante mas é concebido de maneira despretensiosa ou até mesmo sem reflexão estratégica. Se você leu até aqui deve já estar pensando, esse cara vai dizer que Leonardo Da Vinci ou Salvador Dali não possuiam um dom exepcional, é por isso que quero traçar uma linha divisória entre Arte e Artesanato – como já disse o colega Washington Olivetto. Criação publicitária é artesanato e como tal requer técnica e planejamento para garantir sucesso e rentabilidade.
Controle de Variáveis na Criação
Um diretor de criação sabe que uma boa peça precisa atender requisitos técnicos acima de apenas possuir uma boa idéia. Na verdade uma fórmula batida com uma boa roupagem é uma maior garantia de sucesso do que uma boa idéia. Infelizmente é esse o cenário prático do glamuroso mundo da criação publicitária, direção de arte, design gráfico… Seja na direção de arte online ou impressa o conhecimento e domínio da variável “x” é que faz um layout interessante, intrigante, ou até mesmo sensacional. Entre as variáveis mais importantes estão:
- Contraste (alta luz, meio tom, sombras)
- Cromia (entedimento e compreensão das cores)
- Proporção (diagramação, estudo dos espaços)
- Alinhamento (margens, sangrias, estilos)
- Conceito (referências, sentido, coerência)
- Peso (proporção visual, sensação, densidade)
- Tipografia (leitura, adequação, tema)
Cada qual com sua devida importância, porém para um bom layout é importante chegar no melhor denominador comum na hora de ajustar essas variáveis. O layout precisa possuir coerência no conceito, tipografia, proporção, cromia, e tudo adequado com a mensagem, cliente, briefing e target. Como podem ver é uma experiência muito mais conceitual do que apenas atribuir a palavra “dom”. Eu acredito no dom. Mas como já disse, no dom cego, algo como um diamante bruto que precisa entender o seu valor e o processo comercial cujo o qual está envolvido. Uma criação publicitária não é pautada pelo nosso espírito mas sim por nosso cliente e isso exije questões além do bonito e feio. Por experiência própria posso dizer que são muito raros, mas muito mesmo, os clientes que recebem uma campanha que atenda o maior potencial que poderia atingir. A maioria das empresas não possuem gerentes de marketing capazes de poder separar gosto pessoal do interesse da empresa; infelizmente não ensinam isso nas faculdades ou MBA’s é algo que decorre de experiência, tentativa e erro, ou um simples bom senso. O engraçado é que quando as pessoas vão ao médico não questionam o remédio receitado, o tipo de antibiótico ou a dosagem sugerida, mas quando estão na posição de cliente e recebem uma campanha de uma agência/consultoria de propaganda e marketing tendem a de uma hora para outra a tornarem-se experts, tira isso, põe aquilo, isso eu não quero… Esse é o dia-a-dia de todo criativo, muitas vezes sua “obra” está sobre avaliação e crivo pessoal de uma pessoa (e conjûge, irmão, sócio, empregada, vizinho…) e não do target proposto no briefing. Em contrapartida também existem bons clientes, que são profundos conhecedores do público-alvo de sua empresa e são fundamentais na avaliação do processo criativo, pois podem poupar tempo contribuindo com dicas e sugestões.
Um desenvolvedor pode ser designer?
Sim, não, depende, rs. Apesar de o perfil esteriotipado de um desenvolvedor e de um designer serem bem diferentes nada impede que um desenvolvedor possa ser designer e vice e versa. Como já dito criação publicitária envolve técnica e fórmulas, assim como qualquer linguagem de programação. Existe um termo que antigamente era muito utilizado em criação, “Programação Visual“, esse termo ilustra bem a questão que estamos desenvolvendo, um layout pode ser programado. Ops, nada de “Deep Blue” e “Garry Kasparov” mas sim algo humano, tangível e extremamente possível. Um programador que queira aprender a fazer layouts precisará aprender a programar não em uma linguagem, mas em diversos dialetos artísticos, marqueteiros e do cotidiato. Não existe uma fórmula em criação, toda obra é singular, no entanto, o caminho é estudar a técnica e o conceito artístico.
A pergunta que não quer calar é: um desenvolvedor pode ser um bom designer? Isso depende, pois um bom designer geralmente é alguém com talento (facilidade e boa compreensão artística) e técnica, fazendo uma metáfora, é como dizem os músicos, não basta tocar uma música é preciso senti-la na alma, o feeling é que faz de Carlos Santana meu guitarrista favorito, apesar de apreciar a boa técnica de Steve Vai ou Joe Satriani. Isso é algo intangível, mas acredito que o esforço e dedicação podem tornar uma pessoa esforçada e minimamente capaz a conseguir o que quiser, no entanto, cada caso é um caso e o resultado depende de cada pessoa. Não há como contestar que um menino prodígio como foi Wolfgang Amadeus Mozart não é um caso de extremo talento, algo que seria impossível de se realizar apenas com esforço e dedicação, para quem não sabe Mozart começou a compor aos 5 anos de idade.
Qual é o segredo?
Criação é como um músico que não me lembro o nome já disse “…10% inspiração e 90% transpiração…”. E para isso é necessário estudar, ler e ir além do senso comum. Um criativo precisa desenvolver sua sensibilidade e conhecimento da comunicação social diariamente. É um aprendizado contínuo. Todo mundo pode ter boas idéias, o príncipio é entender que elas não “florescem no vácuo” é necessário estar sempre em busca de referências. Exposições culturais, mostras, fotografias, pessoas, filmes… ouvir e sentir as coisas sempre armazenando esses “dados” que no futuro poderão ser de grande valia na hora de se ter uma boa idéia. De onde vem a boa idéia? Do cruzamento das experiências, vivências, compreensão e sensibilidade do criativo. Portanto se tem algo que posso chamar de dom é o dom da vontade, e se você não o tem não terá photoshop ou psicodiâmica das cores que irá torná-lo um bom criativo.
Do que os usuários gostam
Posted by Diego Brito in Arquitetura de Informação, Dicas, Redação, criação on 28 de maio de 2009
Dicas para você se tornar o Mel Gibson da Web!
Quem não se lembra de Nick Marshall, o publicitário encarnado por Mel Gibson no filme “Do que as Mulheres Gostam“? Dotado do poder de ler os pensamentos das mulheres Nick podia antever tendência e despertar necessidades de consumo no “sexo frágil” (nem sempre tão frágil asim, rs).
Quem possui um projeto na web e monitora seus acessos por Google Analytics sabe daquela famosa “Taxa de Rejeição”, no entanto, muitas vezes não faz nada a respeito para poder melhorar; simplesmente encara o fato como “é normal para o meu tipo de site e público-alvo”. No máximo fica “entuchando” de informações para ver se a coisa anda o que na maioria das vezes torna o projeto um grande Franskstein.com. As vezes não dá para ser tão otimista e vale o ditado “nao gaste vela com defunto morto“. Não tenha medo, mudar não dói, pelo contrário, é um ótimo analgésico para projetos de websites (sistemas, web app) e principalmente para seus CEOs.
Fiz um apanhado de tópicos e segue abaixo algumas dicas de como antever o seu Target de forma a poder oferecer o que melhor lhe agrada nos meios digitais e quem sabe poder lhe conferir o título de Mel Gibson da Web
Diagramação
A diagramação é um dos fatores mais importantes para cativar um usuário para o seu site. No dia-a-dia da profissão já me deparei por várias vezes com criativos (designers, diretores de arte, web designer…) que ora ou outra cometiam algumas gafes por falta de referencial teórico para auxiliar no processo de “paginação” (termo da minha época de bureau). O que eu percebo é que falta realmente prática e domínio da técnica de distribuir os elementos numa página. Sim, técnica. Não podemos somente nos basear pelo parâmetro do “ficou bonitinho“, temos que ter em mente que pessoas são diferentes e o conteúdo terá diferentes percepções por conta disso. Sim, isso eu já sei, e como resolver esse dilema? Simples, copiando a natureza (método de Fibonacci) e seguindo os ensinamentos de Charles Peirce acerca da ciência dos signos (semiótica). No google você encontrará bastante conteúdo a respeito das teorias de Fibonacci e sua proporção áurea
Já o melhor uso da semiótica Peirceana se dá ao entender o processo pelo qual passa a percepção dos signos e desta maneira poder “configurar” o layout para atender as necessidades e expectativas do projeto. Segue abaixo um exemplo com o método de aplicação:
Redação
Um dos maiores problemas em alguns sites é que são escritos por jornalistas, rs. Nada contra, eu tenho vários amigos jornalistas, no entanto, alguns ainda não entraram na era da Internet. Na web os textos são mais dinâmicos e nem sempre precisam seguir as “regrinhas” dissertativas que costumamamos ver nas revistas, é outro meio e consequentemente outra mensagem. Bons exemplos disso é a forma que os grandes portais e sites de revistas escrevem em sua versão online; a Folha online é bem diferente do jornal Folha de São Paulo. O conteúdo na Internet é mais rápido, frases mais curtas são melhores para prender a atenção de um usuário que pode estar freneticamente mexendo em seu iTunes, vendo um site de culinária, falando no msn com amigos e visitando o site de sua empresa. Você não tem toda a atenção do usuário, portanto não fale como se tivesse. Esse é o ponto fraco dos “Web Folders” sites institucionais que são uma xerox do material impresso da empresa – isso com certeza é desistimulante para o usuário que busca na web informações complementares e não somente uma réplica do material impresso com frases do tipo “possuímos uma equipe altamente capacitada”, “agradecemos a preferência”, “aqui você é especial”, e por ai vai…. Segue abaixo algumas dicas para uma boa redação na Internet:
- Utilizar frases curtas;
- Lembre-se você não tem total a total atenção do usuário, portanto não aja como se tivesse;
- Não diga inverdades, dubiedades ou enalteça demais o produto pois o usuário está a um clique do Google para comprovar o que você escreve;
- Textos grandes são melhores para serem lidos na Internet, lembre-se que seu usuário pode ter uma certa idade e dificuldade com fontes menores que 12px;
Arquitetura
Sites são, na maioria das vezes, fontes de informação e conhecimento e devem se comportar como tal. Tão importante quanto o design é a estrutura de informação e sua disposição para o usuário. O seu site não pode ser complexo como um labirinto para que as pessoas entendam do que se trata, deve ser algo direto e objetivo. Um dos 10 mandamentos do internauta é a “Lei do Menor Esforço“. A arquitetura de informação do site precisa fazer sentido na cabeça do público-alvo, do contrário este ficará “frustado” e com certeza deixará seu site contribuindo para a taxa de rejeição do mesmo. Dicas:
- Faça wireframes antes de “abrir o Photoshop”;
- Utilizar menus intuitivos tanto quanto atrativos;
- Lembre-se a home é a capa do site, procure dispor um breve dos conteúdos mais importantes nela.
- O fluxo de navegação precisa ser enxuto e objetivo, não faça o usuário “rodar em circulo” ou até mesmo entrar num “labirinto de links” (sempre que possível utilize um breadcrumb);
- Quase sempre o caminho da simplicidade é o melhor caminho (um controle remoto com vários botões fazia sucesso na década de 80, hoje o hype é algo como o Ipod);
Faça bom proveito das dicas e caso tenha algo que eu não tenha citado e que gostaria de saber fique à vontade para comentar logo abaixo!











